Epistolografia
São Paulo, capital. Considero-me carioca de coração e por opção (muito embora eu adore praias, não as freqüento), fluminense que sou morando no Rio desde agosto de 1989 e no Jardim Botânico que gosto muitíssimo há quatro. Talvez eu hoje fosse paulistana por adoção se tivesse escolhido Sampa em vez do Rio na época do vestibular. Cheguei ontem de São Paulo, onde fui ver um show de Leila Pinheiro (já disse em post anterior, minha cantora preferida e para mim uma das maiores de todos os tempos). Quarta-feira almocei no Ritz, restô que gosto muito na Alameda Franca, próximo à casa de minha prima que sempre me hospeda deliciosamente.
Voltar ao Ritz foi ótimo. Durante três horas, fiquei à mesa com gente querida, papo ótimo e o melhor astral possível. Lembrei de muita coisa e de Caio Fernando Abreu (escritor que adoro e que merece muita nota vermelha!!). No dia anterior eu havia comprado "Caio Fernando Abreu - Cartas" mas ainda não começara a ler. Na curta viagem de volta, abri o livro e a emoção para a escrita de Caio, de quem sempre fui fã (embora tenha lido apenas quatro de seus livros: "Ovelhas Negras", "Morangos Mofados", "Estranhos Estrangeiros" e "Teatro Completo").
Acho que livros de correspondências são sempre muito reveladores (não daria para ser diferente). Descobre-se ali a arquitetura íntima da escrita de alguém. O interior da casa. Precisamente o quarto de dormir. Acho que escrever carta é uma arte. Pouquíssima gente sabe escrever bem e escrever bem carta (ou email, para atualizar a coisa) é uma conquista de poucos. Coisa rara. Acho que conto nos dedos (e de uma das mãos!!) as pessoas com as quais me correspondo e que gosto verdadeiramente de ler. Não é que eu não goste ou que não tenha prazer em ler missivas amigas... Absolutamente não. Mas ler uma boa carta é algo que me proporciona um prazeroso momento ao longo do dia.
Voltando a Caio Fernando Abreu - Cartas, adorei desde a orelha, escrita por Adriana Calcanhotto, pop-star das belas letras e das belas artes, criatura muito especial, gaúcha como Caio. As cartas são endereçadas (aos seus amigos mas) sobretudo às pessoas que gostam de despetalar um pouco mais o interior de alguém que admira (já por conhecer a escrita "de fora") e que agora os permite conhecer a escrita "de dentro", "por dentro" e "para dentro".
Escrito por Flávia às 12h54
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