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ESPELHO:
Andar na corda bamba sem cama-elástica. Mergulho de ponta no abismo da ousadia que é a super-exposição de si.
ALTA NOITE:
A madrugada é longa: tudo esclarece, menos seu nome.
ps. naufragada em desejos e incertezas, nado no mar gelado da espera.
CANECÃO:
Você me viu. Eu sei. E tem mais: seu olhar faiscou no meu. Seu olhar p-a-r-o-u no meu (vai negar?). Senti na pele: você é o meu futuro amor (e ponto final). Eu siderada, que cilada.
Escrito por Flávia às 23h19
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M A I O
Eu baldeava pela casa
Sem saber se chorava
Se deitava
se me vestia e saia
ou se ria
Escrito por Flávia às 23h10
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After hours
Depois de ter você
Depois de ter você Pra que querer saber Que horas são? Se é noite ou faz calor Se estamos no verão Se o sol virá ou não Ou pra que serve uma canção Como essa?
Depois de ter você Poetas para quê? Os deuses, as dúvidas? Para que amendoeiras pelas ruas? Para que servem as ruas Depois de ter você?
Adriana Calcanhotto
Escrito por Flávia às 01h11
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Leminski
a noite - enorme tudo dorme menos teu nome
Escrito por Flávia às 03h58
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Alagoas
Escrito por Flávia às 01h33
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Liquidificador
Liquidifico a dor
em pulsadas fortes,
definitivas.
O caldo é grosso,
açaí-lama de rara composição
escorre goela abaixo,
cor de vinho, cor funda, cor de dor.
Engasgo.
E vomito.
Escrito por Flávia às 01h25
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BOM HUMOR
Há (deve haver) em algum lugar. Num fundo de armário, na “posta restante”, no bolso de um casaco. Na terra ou no céu, sei lá onde e não importa. Deve haver, trancada com chave seqüestrada, qualquer palavra, em alguma língua. Me dê alguém, por tudo que (não) é mais sagrado, a boca que traga essa palavra-cama onde eu descanse da falta de ar. Da falta de senso, da falta de lugar, de visão, de rumo, de aviso... Viva Caetano! ... e como o mundo anda chato! Chatíssimo.
Eu confesso: não tenho mais saco!! Ô coisa cansada que é vestir a fantasia pra pisar nesse mundinho de egos na vitrine. Não é nem pré-conceito... É pós-conceito e não se fala mais nisso. E tem mais: tô fora desse mundo de prefixos e sufixos!! Vaidade é lixo tóxico e eu não nasci terreno baldio.
Alguma coisa está fora da ordem (caetaneando again...) - e não que a ordem seja que tudo deva estar em ordem. Falta de planejamento é bom. Surpresa é bom. Inesperado é bom. Desvio é bom. Devo estar louca, é bem provável. Ou não. Embora eu ache mesmo que loucos são loucos e pronto. Aqueles outros, estrangeiros ao ninho da minha emoção bacana que sabe o que quer e regram, que rotulam, que não entendem nada. Aqueles imbecis que não sabem ouvir, que não sabem sentir. Aqueles imbecis que não sabem nada, by the way.
Meus horizontes são outros. Bem outros. E do mundo.
ps. Ave, Leila.
Escrito por Flávia às 01h13
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SALVE JORGE!
By the way...
SALVE JORGE!!
"Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal"
VIVA JORGE!!
Escrito por Flávia às 21h37
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É (quase) Natal

Escrito por Flávia às 16h11
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Leilis

Escrito por Flávia às 19h47
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A vida que a gente leva - II
Ainda emprestando dessa absolutely red Fatima Guedes o título para esse post, agradeço a Deus por um dia como o de hoje. Todo ser vivente merece esse dia de 'manhã tão bonita manhã' (mesmo sem ser de carnaval) nessa quase primavera carioca que ainda deixa a temperatura agradabilíssima com céu azulíssimo e no dial da rádio uma hora de especial com Leila Pinheiro. Minhas mentiras são sinceras, minhas verdades, absolutas:

Na foto, essa verdade absoluta que acabo de publicar. Atrás de Leila, assistindo a tudo de camarote e sorrindo pra nós, Elis Regina, cantora preferida da minha cantora preferida.
Escrito por Flávia às 22h15
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A vida que a gente leva
Nada por acaso e, sinceramente, longe de querer teorizar fantástica ou metaforicamente sobre essa "vida que a gente leva", empresto de Fatima Guedes esse título de canção inédita para voltar a essas quase esquecidas notas vermelhas. Fatima Guedes é vermelho intenso. Se fosse letra de música (música dela, claro!), diria que o vermelho é carmim.
Fatima Guedes hoje reflete 25 anos de construção da mais absoluta canção brasileira ("em cor, em verso, em graça, em luz", como em Caetano), fundada nos verdadeiros sentidos dessa teia. Escolhi o tema desse post na semana passada, quando Leila Pinheiro - repito que, para mim, a maior cantora brasileira da atualidade e a melhor "voz de mulher" (viva Sueli Costa e Abel Silva!) desde há muito e, pelo menos, durante toda a década de 90 - dividiu com Fatima os vocais dessa novíssima canção no Teatro Rival, semana passada, durante a comemoração dos 25 anos de carreira da compositora.
Pois bem, "A vida que a gente leva" é um momento que retrata uma leveza na vida de Fatima e, por que não?, um amadurecimento da autora das exepcionaaaaaais "Condenados" e "Faca", que se permite um mergulho menos profundo, mais leve, mais solto, mais passarinho, mas não com menos sabedoria.
Escrito por Flávia às 22h01
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Não existe pecado?

Mais de um mês de ausência. Menor vontade de escrever. E tanta coisa aconteceu. Passei alguns dias em Quito, no Equador. Cheguei ontem. Prova cabal ao lado. De fato, é a metade do mundo, como diz o monumento.
Escrito por Flávia às 16h33
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Veríssimo
Recebi o texto "O que faz bem pra saúde?" de uma amiga na semana passada, dando autoria a Luis Fernando Veríssimo. Não sei se confere. De qualquer forma, achei o texto absolutamente indispensável para quem quer viver bem e de bem com a vida. Viva Veríssimo!! Nota vermelha para tudo o que faz a gente lembrar das coisas boas que fazem o mundo (muito) mais feliz.
Cada semana, uma novidade. A última foi que pizza previne câncer do esôfago.
Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha. Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos. Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais os médicos deveriam proibir - como dóem! Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar. Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muzzarela que previna. Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca. Conversa é melhor do que piada. Beijar é melhor do que fumar. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada. Sonhar é melhor do que nada.
Escrito por Flávia às 17h43
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Simone Guimarães

Não me lembro a primeira vez que ouvi Simone Guimarães cantar. Hoje, no entanto, posso dizer que sua voz ecoa eterna, reverbera ao infinito em cada canto que vivo, ouço ou sinto, muito além dos seus cinco discos. A voz de Simone é casa. Não só "Casa de Oceano", como seu mais recente e excepcional (!!!!) CD lançado ano passado pela Biscoito Fino. A voz de Simone é profunda e permanente em cada sentido. Não bastasse cantar o que canta (já ouviram sua versão para "Retrato em branco e preto"? É de fazer Ana Carolina virar avestruz!), Simone é poeta (já ouviram "Baião barroco"?), compositora ("Água funda"?) e uma das pessoas mais sensíveis e inteligentes que conheço. Bethânia adora. Milton Nascimento também. Ela é parceira de Guinga. De Leila Pinheiro. De Francis Hime. E minha (!). A foto ao lado foi tirada recentemente na casa de uma grande amiga que temos em comum, figura rara e queridíssima que tanto quanto eu se delicia com o que vem de Simone. Recebi ontem um email tão lindo de Simone - e, não podendo respondê-lo à altura - coloco aqui essa nota vermelha, mais que vermelha para quem quiser me visitar. Viva(m) Simone Guimarães!!!
Escrito por Flávia às 15h59
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